A morte de Brian Jones, o fim dos Beatles, as dívidas com o governo inglês, a displicência de Mick Jagger e a heroína: alguns dos ingredientes que Keith Richards sintetizou com maestria na gravação do disco que tem o corpo e o sangue do rock n’ roll espalhados por cada um dos seus 4 lados.
Os quase 70 minutos do Exile On Main St. passeiam livremente (embora com grande pesar) entre o porre da noite passada e o arrependimento do dia seguinte. No entanto, todo o estremecimento e dor de cabeça parecem demonstrar os Stones em uma busca desesperada por redenção.
A voz arrastada de Jagger, os metais que carregam as melodias, a toada boogie-woogie do piano e mais todos os elementos que permeiam o disco dão a ele ares pesados, dramáticos. O clima de culpa ultrapassa os limites da bolacha: o que por muitos é considerado uma obra-prima, nunca foi visto com bons olhos pelos Stones, uma espécie de filho bastardo do rock.
A banda em seu auge criativo, os músicos em conflito autodestrutivo e o retrato de uma era bacântica: não é exagero nenhum dizer que o registro foi definitivo. De fato foi. Pouco mais de um ano depois do lançamento de Exile On Main St., Mick Taylor deixaria a banda. E, infelizmente, os Rolling Stones nunca mais seriam os mesmos. E nem o rock n’ roll. Felizmente.